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Chegamos no agora, este momento contínuo, inevitável e constante. Parece futuro quando olhamos para trás, mas com certeza também já é passado em algum ponto do depois. Aqui, velhas paredes desabam e a cidade ganha luzes de Natal. Entre fios e fachadas retas surgem placas de comércio coloridas, erguem-se novos prédios e mansões. Enquanto isso, na periferia, o pó da rua tem todas as cores... há outro pobre morto no jornal.

Esta Princesa, tão vaidosa e refinada, viu crescer em seu pátio um mundo cinza e úmido. Viu o sangue avermelhar o rio e, por ora, vê o ritmo fervente das calçadas que circundam os cafés. De alta sacada, vê telhados ao longe, escondendo os ladrilhos e parte de um trânsito caótico. Em 2014 as pessoas andam mui rapidamente, sempre atrasadas ante ao tempo vendido por seus objetivos imediatos, quase todos, ilusão.

Afinal, quem somos? O que é este lugar se não o espectro da mente dos que o habitam? Nesta cidade de planos quadrados, o que nos assombra é o ontem ou o amanhã? Mas até o amanhã tudo segue mudando, pois a impermanência é a única coisa eterna, e em Pelotas isto não seria diferente.

O Volume 3 do Almanaque do Bicentenário de Pelotas encerra o desafio da Gaia Cultura e Arte de resgatar e compreender os 200 anos da Princesa do Sul. Neste Volume, sob coordenação editorial do professor Luís Rubira e pesquisa iconográfica de Guilherme de Almeida, temas como índios, a história da doença, a paixão pelo futebol, a formação da classe operária, as religiões, as eleições municipais, as fábricas de compotas de pêssego, o período da ditadura militar em Pelotas, a música popular, os cartões postais, a sociabilidade e afirmação política dos afrodescendentes, o arroz, os ensinos primário, secundário e superior, a preservação patrimonial na cidade e personagens como João Simões Lopes Neto, Alberto Coelho da Cunha e Januário Coelho da Costa compõem, juntamente com um acervo iconográfico amplo, inédito e atual, uma interessante releitura da história de Pelotas.

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Este estudo, é importante salientar, nunca desejou esgotar tema algum, mas sim sujeitá-lo a uma nova visão e trazer à tona dados que até então eram desconhecidos. Muito mais que um trabalho, o projeto Almanaque do Bicentenário de Pelotas é uma declaração de amor, de todos que a ele se doaram, a esta cidade tão ímpar e especial.
Cientes de que o tricentenário também guarda fiéis homenagens a nossa Princesa do Sul, nós, da Gaia Cultura e Arte, agradecemos a todos os elementos que nos ligam à cidade de Pelotas e desejamos que ela seja florida, próspera e abundante.

Gaia Cultura e Arte, dezembro de 2014.

 

 
            

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